Resumo rápido: A Dor Pós-Operatória Crônica (DPOP) é uma realidade frustrante: o paciente passa por uma cirurgia de hérnia (inguinal), cesárea, mastectomia ou coluna, mas a dor no local do corte nunca vai embora. Na SENSIVE, a Dra. Bruna Queiróz investiga essa condição como uma dor neuropática secundária ou componentes miofasciais do músculo ao redor, bloqueando a transmissão de dor do nervo machucado através de medicações especializadas e injeções eco-guiadas, aliviando a dor.
- O que é um neuroma de amputação/cicatriz;
- Cirurgias mais comuns que causam DPOP;
- Por que o ultrassom e os exames de imagem parecem normais;
- O protocolo intervencionista para dores cicatriciais.
O Bisturi Cortou a Pele, Mas Machucou o Nervo
As pessoas tendem a achar que a pele e os músculos são formados apenas por carne, esquecendo que o corpo humano é forrado por cabos elétricos (os nervos) finos como um fio de cabelo. Nas cirurgias pode haver lesão de alguns desses pequenos nervos sensitivos.
Na maioria das vezes, esses fios cicatrizam. Mas, em cerca de 10% a 30% das cirurgias, eles formam pequenos nódulos inflamatórios no tecido cicatricial. O paciente passa a sentir "pontadas, fisgadas fortes e queimação" toda vez que estica a barriga ou toca na área operada. O cirurgião original olha e diz: "está tudo certo com a cirurgia". Mas o sistema nervoso precisa de um especialista em Dor.
Cirurgias com Alto Risco de Dor Crônica
Alguns procedimentos têm uma taxa maior de desenvolvimento dessa condição:
| Tipo de Cirurgia | Nervo Frequentemente Afetado | Sintoma Típico de DPOP |
|---|---|---|
| Cirurgia de Hérnia Inguinal / Cesariana | Nervo ilioinguinal e iliohipogástrico (Virilha e baixo ventre). | Fisgadas na virilha que descem para a coxa; dor extrema ao usar calça jeans ou cinto. |
| Mastectomia (Câncer de Mama) | Nervos intercostobraquiais (Axila e costelas). | Sensação de queimadura constante no braço, axila e ao redor das mamas. |
| Cirurgias de Coluna Lombar / Prótese de Joelho | Raízes nervosas da coluna e nervos geniculares. | Rigidez dolorosa profunda, dor contínua irradiando para a perna. |
Opções de Tratamento
Para romper o ciclo de dor cicatricial crônica, a Dra. Bruna utiliza abordagens locais e sistêmicas, sem a necessidade de reabrir o corte cirúrgico:
- Infiltração de Cicatriz (Bloqueio de Neuroma): Utilizando o ultrassom de alta frequência, localizamos o ponto exato da fibrose dolorosa e injetamos anestésicos/corticoides ao redor do micro-nervo preso, "soltando-o" e interrompendo o choque.
- Bloqueio de Plano Fascial (Ex: TAP Block): Se a dor for no abdômen, anestesiamos a parede abdominal como um todo (no consultório), proporcionando alívio vasto sem tocar diretamente na cicatriz.
- Infusões de Cetamina e Neuromoduladores: Para pacientes em que a dor da cirurgia se espalhou (sensibilização central), o uso de medicamentos orais ou venosos 're-ensina' o cérebro a ignorar os sinais anormais vindos do corte.
A Síndrome Dolorosa Pós-Mastectomia (SDPM)
Um dos cenários mais tristes enfrentados pela Medicina da Dor é a SDPM. Mulheres que lutaram bravamente e venceram o câncer de mama muitas vezes desenvolvem dores lancinantes na axila, braço e parede do peito devido à lesão do nervo intercostobraquial durante a remoção dos linfonodos.
Essa dor pode surgir meses após a cirurgia. O braço afetado fica pesado, dormente e com queimação, impedindo a mulher de vestir certas roupas ou abraçar os familiares. A Dra. Bruna atua ativamente nesses quadros com o tratamento mais indicado em cada caso, seja ele com medicamentos por via oral ou com bloqueios do plano serrátil anterior e do músculo peitoral, recuperando a funcionalidade e aliviando a dor causada pela condição.
O Efeito Psicossocial do Diagnóstico Incorreto
O diagnóstico da DPOP é clínico. Como os neuromas e aderências são minúsculos, a ressonância magnética do paciente quase sempre vem descrita como "Normal para o status pós-cirúrgico". A junção da dor crônica com os exames normais faz com que o paciente seja frequentemente desacreditado por familiares e empregadores.
Reconhecer que a lesão neurofisiológica existe (mesmo que invisível aos olhos) é o primeiro passo da reabilitação. As infiltrações diagnósticas atuam nisso: se a Dra. Bruna aplica um anestésico local precisamente no nervo suspeito e a dor reduz imediatamente (mesmo que volte algumas horas depois), é provável que aquele nervo específico seja o "responsável" pela dor, orientando terapias definitivas de radiofrequência ou neuromodulação.
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Perguntas frequentes
É normal sentir dor meses após uma cirurgia?
Sentir dor no primeiro mês é normal. Mas se a dor no local da cirurgia dura mais de 3 meses e apresenta características de queimação, choque ou hipersensibilidade (não suporta nem a roupa encostando), isso configura a Dor Pós-Operatória Persistente (DPOP), uma complicação neurológica.
Por que a cicatriz da cirurgia dói tanto?
Durante o corte (bisturi), pequenos nervos invisíveis são seccionados. Em algumas pessoas, ao cicatrizar, esses nervos formam 'neuromas' (emaranhados nervosos) que disparam dor o tempo todo, mesmo que o órgão operado já esteja perfeito.
Como o médico da dor trata isso?
Tratamos com medicamentos neuromoduladores (que acalmam o nervo) e procedimentos de consultório, como a infiltração direta na cicatriz ou bloqueios regionais guiados por ultrassom.
Quanto tempo depois da cirurgia a dor é considerada crônica?
A dor que persiste por mais de 2 a 3 meses após a cicatrização completa dos tecidos já é considerada Dor Pós-Operatória Crônica (DPOP). A partir desse momento, a dor deixa de ser um 'sintoma da cirurgia' e se torna uma doença do sistema nervoso.
Fazer uma nova cirurgia para retirar o nódulo do nervo resolve?
Na grande maioria das vezes, não. Re-operar para 'cortar' o neuroma significa fazer uma nova cicatriz, que tem alta chance de gerar um novo neuroma ainda mais doloroso. O tratamento padrão-ouro atual é a intervenção mínima (bloqueios e medicamentos) sem abrir a pele novamente.
Fontes e referências
- Sociedade Brasileira de Estudo da Dor
- International Association for the Study of Pain (IASP)
- Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Em caso de sintomas, agravamento ou dúvidas sobre a saúde do seu sistema nervoso, procure atendimento médico com um especialista.